Quando a ansiedade vira um problema

Ansiedade é comportamento normal, mas algumas pessoas têm reações intensas e prolongadas; veja como é cada transtorno

A ansiedade é um comportamento presente em situações de conflito, nas quais há antecipação de ameaças potencialmente punitivas ou de perdas. Ela é uma reação normal e serve como proteção contra prejuízos potenciais. Apesar de ter características diferentes, o medo também é uma resposta a ameaças iminentes, frequentemente aparecendo no contexto da ansiedade.

Entretanto, algumas pessoas apresentam reações de ansiedade excessivamente intensas e prolongadas, seja em função de sua história comportamental (interações ao longo de sua vida) ou de predisposição biológica. Nestas condições, frequentemente, há o desenvolvimento do que se chamam “transtornos de ansiedade”.

É importante entender cada um deles para tratá-los da forma correta. Os principais transtornos de ansiedade são:

Transtorno de ansiedade generalizada: O Transtorno de ansiedade generalizada se característica por ansiedade e preocupação excessivas, na maioria dos dias, acerca de vários problemas (por exemplo, desempenho escolar ou profissional, saúde), durante vários meses, a maior parte do dia. A estas preocupações se associam sintomas como sensação de estar “com os nervos à flor da pele”, fadiga fácil, dificuldades em concentrar-se, irritabilidade, tensão muscular, perturbações do sono.

Transtorno de pânico: Crises súbitas de medo ou angústia intensos, acompanhados de sintomas físicos como sensação de asfixia, vontade de evacuar ou urinar, palpitações no peito, tremores, sudorese, tonturas, sensações desagradáveis no abdômen, vista turva, sensações de formigamento, dores no peito, sensação de estar fora da realidade. Frequentemente as pessoas falam em “síndrome do pânico“, mas o nome correto é “transtorno de pânico”.

Fobias específicas: Tratam-se de transtornos nos quais a pessoa apresenta um medo desproporcional ao perigo real, desencadeado por estímulos como locais (e.g., altura), animais (eg., borboletas), atividades (e.g., voar, tomar injeção) ou pessoas (e.g., palhaços).

Fobia social: A fobia social um medo exagerado de passar vergonha ou constrangimento perante outras pessoas como, por exemplo, de ser visto comendo, de fazer uma apresentação de um seminário, de engajar-se em interações sociais como, por exemplo, “paquerar”. O medo relaciona-se à observação crítica das outras pessoas, ao que elas podem achar do indivíduo fóbico, por exemplo, ridículo, desajeitado, incompetente.

Transtorno de ansiedade de separação: Medo ou ansiedade impróprios ou excessivos em relação ao estágio de desenvolvimento da pessoa, envolvendo aqueles às quais a pessoa está apegada. Isto se manifesta através de sintomas como sofrimento excessivo quando há afastamento (ou este é previsto) de figuras às quais a há apego; preocupações excessivas em relação à perda destas figuras; preocupação excessiva de que ocorra algo que separe destas figuras; relutância em ir a lugares, com medo da separação; temor de ficar sozinho ou dormir sem a presença da figura à qual se está apegado; pesadelos envolvendo o tema da separação; queixas de sintomas físicos quando ocorre separação ou ela é prevista.

Mutismo seletivo: Apesar de capacidades linguísticas normais, a pessoa não fala em algumas situações específicas como, por exemplo, escola ou na presença de estranhos ou mesmo parentes mais distantes; por vezes, crianças se comunicam através de grunhidos ou apontando ou escrevendo. Este transtorno frequentemente se associa a características de timidez e sintomas de fobia social.

Agorafobia: A agorafobia é um medo de ficar em lugares públicos (por exemplo, meios de transporte público), lugares abertos (praças), lugares fechados (cinemas, shoppings, por exemplo), de sair de casa sozinho ou permanecer em fila ou em meio a multidões. Frequentemente a descrição é de que a pessoa poderia passar mal e não conseguir escapar ou não ter ninguém para ajudá-la. Sintomas semelhantes aos dos ataques de pânico podem ocorrer.

O TOC é um transtorno de ansiedade?

O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) caracteriza-se pela presença de obsessões e/ou compulsões. Obsessões são pensamentos, imagens ou impulsos recorrentes e que são vivenciados como intrusivos ou seja, a pessoa sente como não sendo algo dela.

A psicoterapia com abordagem cognitivo-comportamental parte do princípio de que as manifestações emocionais dos quadros ansiosos são precedidos de pensamentos que geram a ansiedade. Assim, ela procura mapear estes pensamentos (quais são, quando e onde aparecem, que gatilhos podem desencadeá-los) e como se relacionam às emoções e, através de técnicas de modificação dos pensamentos que causam ansiedade, pode auxiliar no tratamento medicamentoso destes transtornos ou mesmo, em alguns, servir como tratamento exclusivo.

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